plano de fuga

de tempos em tempos eu me pego pensando no que eu precisaria fazer caso tivesse que sair daqui de um dia pro outro. lógico que de um dia pro outro pode ser um pouco extremo, mas é como se eu mantivesse um plano b sempre em algum lugar no fundo dessa cabeça cheia de merda.

desde que saí de brasilia decidi que não criaria vínculos fortes a ponto de me grudar em algum lugar por mais 18 anos, tempo que fiquei lá. daí não tive filhos, escolhi um gato. pra levar a bisteca embora já tenho até caixinha. 

uma coisa que me incomoda um pouco é a quantidade de coisas que eu tenho. em quatro anos mobiliei um apartamento. qual o plano secreto pra se livrar de uma maravilhosa máquina de lavar paga em suaves doze prestações? lembro quanto fiquei deslumbrada no dia que ela chegou. foi assim com a geladeira também. do nada eu estava parada em frente a minha geladeira. branca, linda, grande, com prateleiras. hipoteticamente apenas um eletrodoméstico, mas um grande passo na minha própria humanidade. iria eu colocá-los a venda? tvs, mesas, cadeiras, cortina, cama, armário. ou enfiar tudo numa caixa e deixar que o tempo e a umidade de sp cagasse com tudo dentro de um depósito?

e pra sair de casa? a multa do contrato do aluguel, a casa vazia, a próxima casa. estou com três malas aqui, levaria todas? encheria todas? precisaria de todos os meus casacos? ou será que iria pra algum lugar tão quente que dois pares de havaianas não seriam suficientes?

o que fazer com a pós? esperar acabar? usar como desculpa pra ficar aqui só mais dois aninhos. será que dois anos é muito, ou será pouco? esse curso vai me servir de alguma coisa depois?

além disso, seria eu uma entusiasta das festas de despedida? lembro não muito bem da minha despedida de brasília que o alcool fez o favor de apagar. mas tenho fotos.

não é que eu esteja planejando ir embora, mas acho que o dia que eu sentir um impulso de ir – e de impulso eu já estou seis tatuagens treinada – eu só quero poder ir. por causa de um emprego novo, de um projeto novo, de um amor novo, de uma cidadania nova (ha ha ha!), de um terremoto, de uma guerra civil, de um apocalipse zumbi. 

qualquer coisa que pareça um bom – e novo – motivo para viver.

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