escrevo pra não morrer

hoje fiz a quinta – ou sexta – entrevista, desde que perdi o emprego pela segunda vez em menos de três meses. já passei da fase de me culpar ou de me sentir inferior porque não tinha um emprego. deve haver algo mais na vida além de empregos. mesmo que eu ainda não tenha encontrado esse algo mais.

me perguntaram o que eu fazia. mencionei um breve resumo do meu curriculo, muito mais confiante do que tinha feito nas outras oportunidades, parece que tenho feito um curso de entrevista. sou uma subcelebridade curtindo um periodo pós-bbb or something.

depois de algumas outras perguntas, fui questionada a respeito do que eu de fato gostava de fazer. é complicado pensar nas coisas que eu fiz até aqui só pra pagar as contas e as que eu de fato gostei e sinto orgulho e pelo amor de deus me deixem repetir. já disse que sou de gêmeos. se você me pergunta se eu gosto de branco ou preto, vou responder cinza pela simples preguiça de ter que escolher uma das opções e me arrepender na sequência.

das coisas todas que eu já disse aqui que tentei fazer, a única que eu nunca tentei e sempre funcionou, foi escrever. eu nunca sentei aqui pensando em como seria maravilhoso publicar algo que as pessoas amassem ou lessem, que fizesse alguém me notar, me contratar. eu nunca sentei, nesses 14 anos de blog, na frente de um publicador com objetivo de agradar vocês.

eu não digo na descrição do blog que ele não tem fins lucrativos por acaso. eu nunca escrevi aqui pensando em ganhar um comentário, um convite para um evento ou uma cesta de brindes. não é nada disso.

sei que desde o primeiro post feito em uma servidor do weblogger (lembram dessa maravilha?), meu único objetivo era não rasgar ou queimar o texto como eu tinha feito com tudo escrito até ali. por vergonha, por medo, pela merda que fosse: achava que nada era “publicável” ou “livel”.

passei por momentos de produção insistente. dois, três textos por dia. ali no meio da adolescência, onde tudo necessariamente precisava ser dito, contestado ou reclamado.

de uns tempos pra cá, atentei, com a ajuda de um amigo, que esse espaço tinha virado um depósito de grandes acontecimentos. mesmo que uma vez a cada três ou seis meses, eu só venho até aqui quando estou passando por um momento muito ruim, ou muito bom, ou vivi algo que devesse realmente ser guardado.

querendo ou não, essa é a terapia que eu escolhi sem querer. de tudo que eu penso, as coisas só parecem realmente fazer sentido quando colocadas em palavras, parágrafos e textos que, acredito eu, não façam muito sentido pra mais ninguém.

uma forma de organizar ideias, sentimentos e memórias. sem querer, sem esforço. eu não planejo o número de palavras, nem de parágrafos. eu começo e espero terminar.

admiro, do fundo meu coração, todos aqueles que escrevem para viver. aqueles que ganham com isso, que pagam contas. aqueles que conseguem escrever apenas por obrigação, seja a partir de terceiros ou de si mesmos. aqueles que controlam o que querem ou que não querem escrever. que editam, cortam, revisam. que se podam, que se soltam, que têm alguma autoridade sobre seus textos.

eu? eu estou aqui, há pelo menos 14 anos.
e eu escrevo apenas pra não morrer.

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1 Response to escrevo pra não morrer

  1. Marina mello says:

    Já passei por essa fase ruim, assim como você, e acredite as coisas melhoram! Quando a gente fecha, ou fecham pela gente, uma porta, só estamos abrindo uma oportunidade de alguma coisa boa preencher aquele vazio. Meio auto – ajuda, eu sei, mas é como eu me senti. Passei por todas as agências de sp, até vim parar nesse lugar cheio de gente bacana. A gente se torna especialista em entrevistas, né? hahaha. Bom, desejo toda a sorte do mundo pra você Dre. E no meio da bagunça é que a gente se acha

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