eu não sei em que planeta eu tava quando fiz uma aula de administração na faculdade que me jurava que todo cliente tem razão. eu devo ser a única cliente no mundo que tem razão mas os atendentes da farmácia podem dobrar.

de tempos em tempos meu olho cria uma reação alérgica maravilhosa, decorrente das cirurgias que eu fiz anos atrás. então eu ligo pro tio oftalmo que, depois de tanto tempo, consegue me dar consultar telefonadas com toda a precisão do mundo. foi assim que ele me pediu pra comprar um colírio chamado vigadexa, velho conhecido meu. apesar de ter um deles em casa, ele sugeriu que eu não utilizasse esse porque, depois de um mês ou um mês e meio, todos os colírios são contaminados por bactérias. bactéria na bactéria ia ser uma festinha no meu olho.

aproveitei o horario do almoço e minha solidão não só pra sair pra comer, mas também pra comprar essa merda. depois de passar em duas farmácias que não tinham no estoque, escolhi uma que tem várias filiais: se não tem naquela que eu fui, alguém manda buscar em outra e entregar na minha casa. costumava funcionar.

como estou sozinha em casa, esperei sem sair de casa, sem tomar banho, sem aumentar o som. vai que o cara aparece e eu não escuto o interfone, né?

passei na farmácia as três. deu quatro. deu cinco. deu seis. deu sete. deu errado. liguei pro número que tava no meu comprovante da compra, chamou até cair. entrei na internet, procurei o número da loja. liguei e o tio da embratel me informou que o numero tinha mudado pra outro. liguei, liguei, liguei, deu ocupado. então tentei a central de atendimento na qual o senhor AGAMENON me deu um outro telefone que seria da loja em questão. fui atendida lá pela quinta vez.

perguntei ondescaralho tinham enfiado meu colírio, um moço passou pro outro que foi verificar e, oh meu deus, quando ele ia me dizer onde tava minha compra, ele parou de me ouvir. sabe aquelas coisas de novela? “oi, moça? cade vc? tô passando num tunel! agora tô entrando no elevador!”

bastou pra ligar o botão da minha fúria. liguei várias vezes depois e voltou a dar ocupado um milhão de vezes. então retornei para a central de atendimento, onde já saí comendo o cu do atendente, que dessa vez se chamava alguma-coisa-ilton. perguntei com quem eu poderia falar pra fazer uma reclamação extremamente grosseira, porque eles não mereciam nada além disso. ele me disse pra explicar a situação, eu expliquei e terminei com um “se eu tivesse morrendo e tivesse que esperar vcs me entregarem uma medicação durante quatro horas, eu já tinha morrido, né, meu bem?”. tudo isso num tom quatro vezes mais alto do que a minha voz normal. agora eu tô aqui esperando meu colírio que acabou de chegar e uma pizza, porque nego vai ter que m agradar muito pra eu voltar a botar meu pézinho naquele lugar.

TÁ PRECISANDO DE REMÉDIO? VÁ NA DROGARIA DO JOÃO DO CAMINHÃO, DA MARIA DA FRUTARIA OU DO EVENÉZIO DO CEMITÉRIO, MAS NÃO VÁ NA DROGAFUJI.

pronto, falei.

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