aqui no quarto 308 tem duas camas, um colchão no chão, sapatos e vestidos e malas e maquiagens e cardápios. no frigobar, umas garrafinhas de água, uns chocolates. tudo que uma mulher precisa pra viver e engordar. no banheiro não tem nada demais, exceto pelas calcinhas que a gente coloca pra secar na janela. mas o interessante mesmo é esse ar de casa no campo. do lado de fora, em cima do ar condicionado, tem um ninho de passarinhos que pia das nove ao meio dia, exatamente no pico do meu sono-ressaca. do lado de dentro, temos toda uma fauna. se não fosse pela ausência de aranhas, eu podia jurar que isso aqui era um deja vu da minha viagem pro pantanal. as meninas já deram cabo de umas traças, eu já matei uma baratinha e afoguei dois besouros. daqui a pouco eu abro o guarda-roupa e acho um gambá. we never know.

acabei de chegar de são paulo, e nunca imaginei como a vida podia ser frenética e intensa no interior. acordo na hora do almoço, como, durmo a tarde toda, acordo pra lanchar, durmo de novo, acordo pra beber, volto de madrugada e depois começa tudo de novo. hoje foi só eu sentar na cama que me apareceram com um copo de coquetel molotov para bêbados. era alguma coisa pro fígado misturado com alguma coisa pra cabeça que eu tive que tomar com dois engovs. levando-se em consideração que ontem era o jantar e a gente bebeu cerveja, eu não sei o que vai ser de mim hoje. fui informada de três garrafas de uísque, uma de vodka e uma de tequila. se alguém perguntar amanhã onde tá meu fígado, vou dizer que eu perdi.

pior de tudo é saber que o alcool entra e meus critérios saem. ontem eu tava lá, comendo toda variedade de frituras que o mundo inventou, e de repente não mais que de repente, eu tava na pista de dança no meio de todos os formandos vestidos de branco – parecendo garçons – e dançando abalô-abalô-sacudiu-balançô. isso pode ser um problema quando de fato existem garçons na pista pra encher meu copo de cerveja e eu já não consigo diferenciar os de verdade dos de mentira.

e por falar em formandos vestidos de branco, naonde que esse povo arrumou essa idéia? tá que era a missa, estávamos todos no forninho de deus ouvindo sermão e suando, e as formandas de noiva e os formandos de garçom, comofas? aliás, alguém me explica porque um jantar num dia e o baile no outro, os dois no mesmo lugar, inclusive. no começo eu fiquei chocada e achei estranho, mas agora eu já acho uma idéia incrível, principalmente porque não fui eu quem pagou.

dormi de rímel, acordei panda.

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