chegamos, eu e mercedez, na pompeia. ontem. passamos de táxi por todos os muros lindos e grafitados que eu gostaria de grafitar, mas não lembro onde estão, porque eu não tenho senso de direção em são paulo. saímos pra comprar ração de solteiro no mercado e copiar as chaves da casa do juva que não é uma casa, é um apartamento enorme. com quadros e máquinas antigas por tudo que é lado, uma mesa grande, luminárias descoladas e um chuveiro conta-gotas. e como quarta sem amigos e sem agendas e sem nomes em listas não é uma quarta decente, dormimos vendo mib dublado na tnt, tive lapsos de consciência quando passou homem invísivel e acordei, as duas da manhã, quando tava passando mib de novo. uma vontade louca de sair se apossou de mim, mas tava frio, as janelas tremiam e eu fiquei comendo biscoito de maizena e tomando água de caneca. perdi a chance de conhecer bar da tia um e dois, os points da pompéia do juva.

hoje, quinta, um dia pseudo-ensolarado, passamos trinta horas tentando descobrir como sair da pompéia e chegar em sp ao mesmo tempo em que faziamos sanduíches naturebas que foram cuidadosamente embalados nos saquinhos herméticos. papel laminado é muito anos noventa. duas horas dentro de um ônibus, ou melhor, dois, nos levaram até o ibirapuera, lugar afável que não me deixa ver a bienal usando mochila. mas antes de brigar com o tio do guarda-volumes, e sua falta de saco hermético, fomos cantadas pelo gordinho do ônibus ao lado.

pelo gordinho do ônibus ao lado entenda-se menino-de-dez-anos-que-pega-o-celular-e-mostra-o-número-dele-mesmo-no-visor-para-moças-do-ônibus-verde. opa, nós. se eu tivesse oito anos estaria ovulando até agora. é uma transbordância de atitude no colegial que eu quase não aguentei. ele devia escrever um livro de auto-ajuda.

na bienal, quase deixei o vegetarianismo quando comi sanduíche de verde em cima do banquinho de osso. tá, o banquinho não era um banco, era uma obra de arte de gosto duvidoso. mas acho que ir ao parque sentar no osso pode ser a nova expressão de pic-nic.

do parque seguimos os astros até a augusta, que encontramos sentindo cheiro de nike de 300 reais e camiseta de 100. cadê as banquinhas de desconto desse mundo? e a promoção, cadê? mas como nem só de roupa vive uma pessoa, senti uma vontade louca de comprar um semáforo. e por semáforo i mean semáforo com luzes de três cores, que poderia ser usado como instalação artística na porta do meu quarto pra decidir se vc pode ou não entrar.

mais pra cima, sofrimento consumista. camisetinhas, camisas, cuequinhas, vestidinhos, calças e bottons, que foi basicamente o que a gente comprou. seja de cavalinho, de franguinho ou de disquinho, saceia momentaneamente a vontade frenética de comprar tudo que a gente viu pela frente. nem ser simpática com os vendedores de todas as lojas de todos os andares da galeria ouro fino fez a gente ganhar um desconto. no máximo um zilhão de flyers e uma amiga disk-jóquei.

e se a dieta da luz não basta, imagine a do sanduichinho de graminha. cinco da tarde e poste já tava virando baguete. sabe fome? dessas que a moça da nova sentiu antes de tirar a foto da capa? essa. estômago devidamente posicionado ao lado da minha coluna, andamos todaaaa a subidinha da augusta pra almoçar. almojanta às cinco e meia da tarde.

de volta a casa do juva, demos oi pra todos os nossos amigos animais da pompéia (até agora três cachorros e um gato), sentamos e analisamos os flyers como se fossem mapas das minas e fizemos uma agenda de baladas de cinco real. porque tá difícil fazer amigos nesse lugar, ate com os amigos que a gente já tinha.

se fazer amigos em sp é difícil, vamos sair hoje para beber, dançar e fazer inimigos.

This entry was posted in Uncategorized. Bookmark the permalink.

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out /  Change )

Google photo

You are commenting using your Google account. Log Out /  Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out /  Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out /  Change )

Connecting to %s