talvez eu escreva um livro sobre aversão a casamento e filhos. tenho falado sobre isso nos últimos quatro anos desse blog, e nos que vieram antes desse também. já devo ter atingido uns 80 motivos pelos quais nenhuma das duas coisas me atrai. mas acho que finalmente cheguei no meio dos vinte. e se você pensa que eu vou dizer que isso significa que eu acho que é hora de mudar meus conceitos sobre essas coisas, é melhor você mudar seus conceitos sobre mim.

na verdade, o que acontece é que, de repente, não mais que de repente, meus amigos começam a falar em casamento, falar em filhos, casar, parir e abortar. assim, tudo junto ao mesmo tempo agora. querendo ou não, eu já estive numa quantidade de casamentos que nenhuma dessas pessoas jamais vai participar, então sempre tenho o que falar sobre cerimoniais, decoradores, buffets, casas de festa. conheço uma boa parte de todos eles. já tô esperando o dia em que uma juíza específica vai chegar e me dar um soquinho no ombro e dizer “você de novo, garotona!”. já tô num nível em que todas as decorações são idênticas, em que todos os docinhos são feitos sempre pelas mesmas três ou quatro doceiras, que os buquês são invariavelmente iguais, em que os cabelos são iguais mesmo, principalmente nos salões que garantem exclusividade. pra mim, nada disso tem magia nenhuma. na melhor das hipóteses tem cifras, e alguma delas vai parar na minha conta.

sobre filhos eu já posso falar menos. mas menos não significa nada. já estive em um sem número de festas infantis e somo quase três meses de fotografia de papai noel. se eu não sei como é cuidar de uma criança, pelo menos eu já sei quase todos os momentos da vida de uma em que eu gostaria de esganá-la. estar no papai noel permite que você acompanhe toda a vibe consumista dos pequenos trombadinhas. nas duas chances que tive de ouvir o que eles queriam de presente, nunca ouvi nenhuma delas dizendo que queria lego ou massinha. como pode uma criança crescer sem comer peça de lego e grudar massinha no tapete? que raio de infância é essa? eu que não quero botar um filho no mundo pra comprar hot wheels e play station.

isso parece conversinha de tia magoada que não passa mais de um mês com a mesma pessoa e que come anti concepcional como se fosse uma dose diária de chocolate. aquela coisa orgasmática toda de saber que não vai ter que, tão cedo, acordar pra trocar fralda de ninguém.

mas se consola alguém e diminui minha posição de futura tia-solteirona, prometo que vou cuidar dos filhos das amigas e chorar em todos os casamentos. comovi?

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