passei anos da minha vida cultivando uma falsa imagem do fotojornalismo. falsa imagem que, acredito eu, mora na cabeça de vocês idem. sonhava sempre com lugares bonitinhos, limpinhos, arejados e iluminados com cadeiras numeradas e sorteadas entre os veículos antes de pautas caos, pânico e comoção nacional.

e seguindo aquela linha de se acabar na vida profissional e acadêmica quando a vida sentimental se jogou da ponte, bati o pé e peguei uma dessas pautas que bota seu cu em jogo com o editor. não que o editor-chefe do jornal em que eu trabalho queira o cu de alguém (/veneno), mas as figuras de linguagem estão aí pra simplificar os pensamentos. aconteça o que acontecer, morra quem morrer, chute quem te chutar, pelo menos UMA foto vai ter que sair.

nessas eu parei na chegada de ketleyn quadros em brasilia. ai gente, repara nesse nome. porque o nome dela não é a mistura do nome do pai com o da mãe? ia ficar tão mais bonito, aposto. mas tá, vamos relevar porque a dita cuja ganhou uma medalha. de bronze, que não é ouro, mas também não é o oitavo lugar. olha que lucro!

enfim, voltemos para o meu batismo no fotojornalismo mesmo. porque tava muito fácil tirar foto de bueiro, lixo, transporte, rua e… será que eu cheguei a tirar foto de alguma outra coisa? uóreva. uma hora e meia antes já pedi um carro pra garantir que a pauta era minha. uma coisa meio fazer xixi no poste, assim. na hora marcada, cheguei lá, falei com os coleguinhas dos outros veículos e começamos a fazer uma espécie de parede para esperar a amiga chegar. pensei “meu deus, a civilidade no fotojornalismo existe!”. sério que eu sou inocente assim? dois segundos do portão de desembarque abrir, nada mais me lembro. quer dizer, lembro. lembro que meu flash não disparou e eu perdi todo o desebarque triunfal. daí pra frente, JIU JITSU WAY OF LIFE. cotovelada, chute na nuca, maquinada na cabeça. esse negócio de não bater em menina de óculos está outside desse mundo. apanhei como se não houvesse amanhã. lógico que eu não tirei as melhores fotos da minha vida. nem conseguiria sendo tão newba e sem noção, mas eu juro que eu precisava disso pra continuar me animando no jornal.

depois dessa chegada em que aquela coisa minuscula deve ter jurado que era uma miss, uma gangue de fotografos e cinegrafistas teve que se organizar na sala de imprensa, ou de fato ia rolar uma guerra civil. disso sim eu ia querer tirar foto!

entre mortos, feridos, judocas medalhistas e andressas amadoras, ainda tive que seguir carro de bombeiro e ficar insatisfeita com praticamente 300 fotos. que bom que meu salário só entra daqui a dois meses. é a teoria da desmotivação.

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