terceiro ato

e se alguem me perguntasse se uma viagem podia ser assim tão infita, eu diria que nao. mas tem coisas que podem durar pra sempre, e não necessariamente isso quer dizer que elas sejam boas. em bologna, tive diversos problemas de comuniação com os guardinhas que falavam tanto inglês como o porteiro do meu prédio. para conseguir um passaporte novo, eu tinha certeza absoluta de que necessitaria de uma ocorrência, ou claim. depois de fazê-la, peguei o telefone da delegacia pra tentar noticias de um passaporte perdido nos dias que se seguiam, mas isso daria um livro por si só. dois balcões falavam sobre coias turísticas: uma sobre pacotes e outra sobre informações. obviamente a parte de informações estava abandonada, e por pouco não me fez lembrar de um daqueles desenhos do pica pau com uma loja do velho oeste com um único prego pendurando uma placa de closed. levando-se em consideração que eu não falo NADA de italiano, que eu já estava há umas boas 36 horas acordada e que já estava há outras tantas sem comer, perguntei pra primeira mulher de terninho onde diabos eu pegava um onibus para a estação de trem. “é aqui nesse balcão do lado”. “mas ele está fechado!”. “então aguarde”. sabe o que é dizer pra alguém esperar por qualquer coisa depois de umas 5 horas num aeroporto, mais umas 4 no outro e um estômago completamente vazio? é tipo dizer “se esse elefante decidir fugir, segure-o”. não tem mais forças, sabe? então me joguei na plaquinha de ponto de ônibus e, para a minha sorte, tinha um ônibus prestes a sair que, uau!, era para a estação. seria mais gratificante ainda se ele não custasse uns 5 euros e isso me dolesse las tripas.

toda a estação de trem era um grande mistério. primeiro que eu nunca ouvi a palavra binário sendo usada para terminal ou linha. binário isso, binário aquilo, mesmo tendo pedido informações pra umas 4 pessoas diferentes que falavam inglês, perdi 2 trens até a cidade que pretendia chegar e que ficava a duas horas de distância. isso, pra quem tava esperando desde o dia anterior, tinha a mesma proporção de umas 87 horas de trem. cada vez que eu descobria o binário de um trem, nem de longe tinha chance de descobrir onde ele era. e vamos lá, subir e descer as escadas com uma mala de 17kgs e uma mochila de 10kgs era tudo que eu precisava para virar a jane do tarzan. a cada degrau de escada eu podia sentir meus musculos dizendo “hell yeah, i’m feeling so strong!”.

até que lá estava eu, em mantova, morrendo de sono e de fome.

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