segundo ato.

e já que estamos, que vamos. cinco e qualquer coisa daquela mesma manhã, resolvi embarcar. e como embarcar dá trabalho, né? tira o cinto, tira o casaco, tira o lap top da mochila, explica o que é um tubo de pasta de dentes, joga a garrafinha de água fora e dá risada da velhinha que teve que tirar suas botas. nao preciso nem dizer que meu terminal era o ultimo do ultimo do ultimo, né? e o que é um terminal na casa do caralho pra quem não dorme e não come a horas? um passeio pelo deserto dos check-ins e lojas de free shop fechadas, exceto por UMA… entao procurei nas vitrines por chocolates, biscoitinhos ou qualquer outra coisa que fosse minimamente semelhante com um café da manhã. eis que me aparece uma segurança atrás de mim dizendo “perdoname pero todavia la tienda está cerrada”. tipos assim, em que planeta um a loja com as portas completamente abertas, luzes e acesas e vendedoras a postos ainda está fechada? acho que meu cartão de crédito tá sem moral na espanha. pero bien, continuei com fome, andei andei andei, subi em umas trocentas esteiras rolantes e tive que me contentar com um iogurte e um chocolate com cereais das máquinas amigas. qualquer coisa por aqui em solo europeu tem uma(s) dessas maquininhas milagrosas que salvam os famintos, bastam algumas moedas. durante o voo, nenhum sinal de comida, porque a alitalia só considera alguém passível de receber uma refeição em voos de 3 horas ou mais, e de madrid a roma não vai tudo isso.

em roma sou uma pessoa com palitos segurando minhas palpebras e com o estomago colado na coluna. qual a magia de construir aeroportos insuportavelmente enormes? andei andei andei. acho que em um ano não caminhei a metade do que caminhei em quase 2 meses de europa. primeiro tentei contato com a nave mãe. mas todos os orelhões só aceitavam ligações internacionais creditadas em cartão de crédito. entre ficar 10 minutos com minha mãe (que as 6 da manhã no brasil não ia querer me ouvir nem cantando balão magico) e ter todo o tempo de estadia no aeroporto com internet, também debitada no cartão de credito, OH MEU DEUS, O QUE FAZER? nerd que é nerd não se faz essa pergunta duas vezes. paguei a tal da inernet e falei “uau, tenho o q fazer pelas proximas 3 horas”. mas o mundo não contava com a minha falta de astúcia… e a bateria do laptop não durou mais que 40 minutos. andei novamente como se não houvesse amanhã atrás de uma tomada amiga, mas quem disse? por um momento senti uma saudade incontrolável do barajas, o que sou me deixou ainda mais apaixonada por madrid. o aeroporto é amigo e tem tomadas para todos. mudei de tática e resolvi andar de novo, só que dessa vez atrás de comida. mas que estupidez! demorei uns 2km de corredor pra perceber que tudo que há são lojinhas diferentes da mesma rede, então andando ou não, eu comeria os mesmos sanduiches pelos mesmos preços. e daí pedi uma coisa daquelas que tinha verde, num ingles sonolento que eu mesma não entenderia. junto um suco de laranja que, mesmo depois de passar por uma maquina, ainda se assemelhava muito a uma fruta inteira. meia hora depois fiz um tour por todos os free shops e olhei para todas as garrafas de absolut de 13 óiros (voltei a falar óiros, pedro!) e percebi que elas em nada podiam ser aceitas antes do meio dia, principalmente por pessoas que não comiam nada aceitável há muito tempo. voltei ao portão onde pegaria a conexão e tive alguns minutos de “apagamento” alternados com meu livro em espanhol e meu caderninho de sudoku. tudo estaria relativamente bem se a hora de embarcar não tivesse chegado e eu não tivesse me dado conta que meu passaporte tinha se amarrado em roma e resolvido ficar por lá mesmo. e agora bial? correr para a policia e registrar uma ocorrencia ou tentar embarcar com a copia colorida que eu tinha do meu passaporte agora desaparecido? baixou a atriz mexicana e fui tentar convencer a moça do embarque que bom, eu tinha feito o check in em madrid com ele, mas agora estava sem. se foi roubado, se caiu, se eu usei como papel higienico ou se eu comi junto com a coisa de espinafre é algo que eu jamais vou descobrir.

chegando em bologna, onde ainda tinha um onibus e um trem para pegar até mantova, fui até o posto policial… mas isso são coisas que ficarão para o terceiro ato, porque eu tô bebendo vinho e as letras estão começando a ficar um pouco duplas. besos no me llama!

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