um.

acordei com as ganas todas. acordei tarde com as ganas todas. ganas de escrever, ganas de ler, ganas de fotografar, ganas de matar quem me acordou, gamas de matar quem deixou de me acordar antes do meio dia. nunca funciona acordar depois do meio dia. parece que meu estômago se revolta contra tudo e todos e se fecha numa tal conchinha e fica com nojinho de tudo que aparece de comer na minha frente o dia INTEIRO. culpa do meio dia. voltando às ganas: a vontade de escrever nunca é passível de diagnóstico, sendo assim, não sei o que foi que aconteceu pra eu estar aqui nesse bloco de notas. o que importa é que se eu não escrever eu encho de hélio e saio por aí voando. melhor vazia e com os pés no chão do que redonda, cheia de um gás com um nome de gente que eu não curto e voando aleatoriamente sem rumo. a vontade de ler tem explicação… minha mãe apareceu ontem com um livro chamado “neve”, só porque ela gostou da capa. eu acho a capa bacana, mas ou a foto teve problemas de foco ou a resolução tava baixa quando diagramaram. essas tocs fotográficas ainda me matam. é um livro enorme, com um zilhão de folhas e sem desenho. se eu tivesse oito anos, isso seria um problema. depois que eu passei dos dez, virou solução. eu vou ler porque tem um treco na capa dizendo que ganhou um nobel. se eu acreditasse em trecos em capas de livros dizendo que ele ganhou um nobel e isso significar que o livro é bom depois que eu já acabei de ler, eu teria desistido do codigo da vinci antes mesmo de acabar a primeira página. meu bem, seria tão mais feliz se não tivesse lido essa catástrofe literária que um surtado resolveu escrever sobre a familia de jesus e etceteras. mas agora é tarde, muito tarde. a vontade de fotografar acordou tarde, mas acordou junto comigo. já tinha umas semanas que ela não acordava, agora a bicha saiu chutando balde e qualquer outro objeto que aparecer pela frente. ela deve ser reflexo do meu método agressivo de construir uma saudade: nas últimas semanas durmo sempre com cameras, lentes, flash e tudo mais largado em cima do criado-mudo, de maneira que todo dia, quando acordo, é a primeira coisa que vejo. e funcionou. senti falta da rua, dos meus lugares “rusty and crusty”, até dos sonrisais. a vontade de matar quem me acordou vem da vontade que eu sempre tenho de matar quem me acorda, não importa o dia, não importa a hora, não importa nada. basta me acordar pro ódio crescer e ficar fortinho. pior ainda é me acordar pra me cobrar coisa que eu ainda não fiz. diabos! talvez as ganas fotográficas me motivem pra fazer isso de uma vez, mas tá foda. e pra terminar, vontade de me matar quem deixou de me acordar antes do meio dia. eu tinha coisas pra fazer, tinha uma fome pra encontrar, tinha um episodio de 24 horas pra ver. muito tempo perdido. e olha que esse negócio de perder tempo, pra mim, é deveras relativo. de vez em quando eu perco tempo indo mijar, coisa de alguns segundos, diversos momentos do dia. mas o problema é que pensar nisso sempre me leva pro texto da agnes, aquele fatídico texto que mudou minha visão da vida de um eremita. e aí você pergunta que diabos alguém pode pensar sobre a vida de um eremita. eu sempre questionei a existência de uma rotina na vida de uma pessoa que mora isolada. estando isolada, ela teria muito mais capacidade de “flexibilizar” seu relacionamento com o mundo. ou não. tia agnes me disse, em algum semestre remoto de faculdade, que ninguém escapa da rotina. você pode decidir quando dormir, mudar os horários das refeições. mas que diferença isso faz? você SEMPRE vai ter q dormir, vai SEMPRE ter que comer, sempre sempre. então sua rotina estará sempre subjugada aos fetiches biológicos do seu corpo. nesse exato momento, por exemplo, eu me sinto subordinada aos roncos do meu estômago, que insistem em fazer tremer todos os órgãos periféricos. todo mundo frenético aqui dentro, esperando a pizza, recebendo o cheirinho de queijo que vem lá do fogão. e sim, estou com todos aqueles complexos femininos idiotas que me lembram exatamente quantas calorias tem cada mordida de uma pizza coberta de muitos queijos e muitas coisas. discutir o tamanho de roupas tem um reflexo direto com todo o relacionamento entre minhas banhas e a comida pelo resto da semana. cada biscoito vira um castigo. falando em castigo, eu descobri que sobremesas de chocolate podem ser um castigo. lembro da época em que chandelle era um bagulho calórico com leite de vaca e ficava todo mundo feliz assim. agora inventaram uma tal de uma sobremesa de chocolate com leite de soja que é UM NOJO. eu posso ser a vegetariana mais conformada do mundo com tudo, mas não me conformei com a deturpação das sobremesas lácteas. existem coisas e coisas. e as coisas que não prestam não nasceram para ser saudáveis, porque essa preocupação súbita e desnecessária? porque todo mundo quer ser light, diet? basta diminuir a ingestão de porcarias e aumentar a de capim que tudo se resolve. ou não. eu nunca tentei. mesmo assim acho que voltei ali pros 51kgs. um fenomeno passar dos 50 e descobrir que eu posso doar sangue. ainda não tentei, mas não tenho nenhum problema quando o esquema é tirar sangue. minha unica agonia é o caminho inverso. odeio soro. mas enfim. hora de parar de conversar com meu estomago e ir fazer ele dormir, pra depois ligar o sim, apagar as luzes e conversa sozinha, como eu faço todo santo dia. meus botões que me aguentem.

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