é um monstro, sim. e está atrás do armário.

convivemos pacificamente durante anos, agora estamos passando por turbulências. ele resolveu sair pra tomar um ar e eu não estou confortável com isso. ele é grande, tem uns 5 dentes, um olho no cotovelo e uma orelha na nuca. como está sempre de costas pra mim, ouve mais que devia e vê bem menos do que eu gostaria que visse. espera sempre uma oportunidade pra sair, mas eu deixo ele bem apertadinho ali atrás, pra dificultar um pouco as coisas, sabe? acho que a vida dele não pode ser tão fácil.

você pode estar se perguntando: se o monstro está ali, se ela sabe que está li e se ele incomoda, porque não toma uma atitude? porque não jogá-lo do nono andar? manda passar um veneno de rato, sei lá.

ele é forte, se alimenta das minhas minhocas – que não são poucas – e debocha sempre que pode das situações idiotas em que me meto. não faz questão de ser simpático, nem na realidade nem em sonho. está preocupado com seu próprio umbigo – aquele que nasceu na testa dele – e desconhece totalmente a palavra noção.

meu monstro se chama andré.

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