seis e dez, mais dez, mais dez. sendo assim, subtraiu o direito de tomar seus 500ml de leite e comer seu requeijão com brioche.

se um joelho doendo já não fosse o suficiente, chutou a porta do guarda-roupa. a dor que começou entre o segundo e o terceiro, da esquerda pra direita, foi além do dedo, pessando pelo calcanhar, pelo tornozelo, até que se encontrou com aquela outra que já morava no joelho.

seu pai disse que ela estava abatida, numa conclusão 20 anos atrasada. ela assentiu com a cabeça e virou-se. ele deu um piti e ela descobriu que fora para a direção errada: ele pensou que ela fosse ao banheiro da mãe emprestar-se um blush, talvez.

chegou ao metrô a tempo de pegar o mesmo vagão onde o mutante, mistura de avril lavigne e chester bennington, subiu. com um piercing labial gêmeo ao dela, os dois acabaram se transformando na grande atração circense matinal do vagão. ela pôde ler as testas interrogativas: “como alguém beija com isso?”, “como alguém come com isso?”, “como alguém faz sexo oral com isso?”. a última só em testa mesmo, fora sua própria tia, ninguém nunca perguntou.

já no ônibus, ela foi premiada com 2cm² de corridor para ficar em pé e estática, na melhor das hipóteses, acompanhando a movimentação uniforme de todos os espremidos. isso quando o balofo ao lado não se apoiava na magrela desprovida de forças para suportar seu próprio peso.ele estava fedendo, mas ela preferiu pensar baixo. estava cedo de mais para apanhar.

na prova da primeira aula ela simplesmente se fodeu.

para esperar pela flat-class, ela sentou num banco em frente ao jardinzinho de flores amarelas. ficou se imaginando com uma barra de chocolate gigante, mas era interrompida periodicamente pelos conselhos idiotas de uma pessoa de cabelo bicolor(como será que ela pintou a raiz de preto? O.o) a respeito dos problemas oftamológicos de um amiguinho da psicologia.

no fim da segunda aula ela foi convidada pela tia a ficar na sala acompanhada por umas sete coleguinhas de escovinha. ela mentalizou algumas vezes a seguinte frase: “não fui eu quem grudou chiclete no cabelo dela, tia, mas bem que eu queria!”. descobriu, então, que fazia parte de um seleto grupo de cabeçudas que se deram bem na prova e que foram escolhidas para uma semi-dispensa da aula super flat(piada muito interna).

almoçou um nhoque com o namorado, queimou a língua e os dedos num capuccino, ouviu nerds relativizarem sobre a matemática. acabou no metrô escrevendo no caderninho. agora ela decide se publica esse bando de besteiras em primeira ou terceira pessoa, ao som da voz irritante do galvão bueno.

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